O profundo desentendimento do mundo misturado à compreensão de si, clareza sobre a escuridão adentro, pobreza da alma e riqueza das angústias, me fez lembrar o Pessoa.
Queria hoje ele em casa, no degrau da varanda ao meu lado, vendo essa chuva e falando da vida. Ele me entenderia.
Me sinto tão fudida quanto alguém criminoso. E o que eu fiz? Não sei. A culpa simplesmente me corrói. Eu só queria um vício sujo, uma vantagem desonesta, uma razão ambiciosa pra justificar. Mas não há.
Só há a prisão absurda nesse corpo e nenhum heterônimo que me liberte junto aos verdes prados. Talvez haja um,que me habita, pensando que eu sou ele, aquele alguém calado que grita. Talvez também me entenderia o Affonso Romano Sant'anna, esse ao menos é vivo, apesar de também longe demais de minha varanda.
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