Todo santo dia vejo os trens
que circulam pelos teus poemas
há tanto tempo. Quem diria.
Não tem mindim,
nem o moço vendendo amendoim.
Não tem a margem que passa,
não tem vista, só carcaça.
Tem muito moço do ganha pão da ferrovia,
que limpa a mão no pano azul de todo dia
e respinga seu suor no chão
que um dia receberá os grãos,
amendoins caídos por descuido.
Não sei porque me prendo
justo hoje que é frio,
quando devia estar aquele sol
das tarde de sonho absurdo
no parque pra gente deitar
pra ouvir os sabiás.
Talvez seja por Saudade
da liberdade
não só de poder não crer,
mas também de poder.
Acho que você sabia viver...Sabia.
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